Carlinhos Brown defende Claudia Leitte em polêmica por intolerância religiosa

Escrito em 16/02/2026
Patricia Terra - Música 360


O cantor e compositor Carlinhos Brown participou da passagem do trio de Claudia Leitte no circuito Dodô (Barra/Ondina), em Salvador, neste domingo (15), e saiu em defesa da artista diante das críticas envolvendo acusações de intolerância religiosa e racismo religioso.

Durante o desfile do bloco “Largadinho”, Brown subiu ao trio como convidado, fez elogios à cantora e comentou o episódio ocorrido em 2024. “Claudia Leitte é um fenômeno da música mundial. (…) Não ligue para aqueles que ficam dizendo que você não pode falar de Deus no carnaval. Todos os lugares têm que falar de Deus, de Jesus”, declarou.

Antes, Claudia Leitte havia se declarado ao artista ainda no trio: “Eu te amo tanto! Ele é o maior gênio da minha terra, de Salvador, ele tem uma mente espetacular. Carlinhos Brown, eu te amo tanto que você nem imagina, eu sou sua fã”.

A polêmica teve origem em uma denúncia encaminhada ao Ministério Público da Bahia (MP-BA) em dezembro de 2024, após Claudia Leitte substituir “Iemanjá” por “Yeshua” ao interpretar a canção “Caranguejo”, durante apresentação no Candyall Guetho Square. Vídeos que circularam nas redes mostram a cantora entoando “Eu canto ao meu Rei Yeshua” no lugar de “Saudando a rainha Iemanjá” no ensaio de verão “Soul D’Rua”. Segundo a artista, ela canta dessa forma desde 2014, quando se tornou evangélica.

Ainda no trio, Brown voltou a abordar o tema: “Tá amarrado a possibilidade de que você não sabe que o mundo veio não para se confrontar, mas para se unir. Una as pessoas! Respeite os gêneros, respeite o amor, respeite o sexo, respeite a mulher! É isso que é a mensagem do amor de Jesus e é isso que as pessoas não estão entendendo!”.

Após o momento, os dois cantaram juntos e o músico deixou o trio. Em dezembro de 2024, Brown já havia defendido Claudia Leitte em entrevista: “O Guetho é uma casa laica. Todas as pessoas têm direito a ter suas manifestações. (…) Posso te garantir que Claudia Leitte não é uma pessoa racista”.

Em dezembro de 2025, o MP-BA ingressou com ação civil pública contra a cantora pedindo condenação ao pagamento de R$ 2 milhões por dano moral coletivo, sob acusação de discriminação religiosa. Segundo o órgão, a alteração na música descontextualiza a obra original e contribuiria para o apagamento simbólico de referências religiosas historicamente marginalizadas. Além da indenização, o Ministério Público solicita o reconhecimento do dano moral coletivo e a adoção de medidas para evitar novas condutas consideradas discriminatórias.


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